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Set052014

A simpática do lotação


Caro leitor, estou a colocar a pena sobre o papel, fato
que adio há meses, nem sei ao menos porque, acredito que quando deixamos algo
para amanhã, geralmente não realizamos o projeto, o tempo é rápido e já corre
hoje atrás do amanhã.



Inicialmente gostaria de pedir dupla desculpas ao leitor,
primeiramente pela falta de estilo, que admito chegou até a surpreender-me,
sempre preocupado com a ornamentação, mas hoje deixo simplesmente simplicidade sobre
simplicidade, também deixo aqui minha outra desculpa, a desculpa da memória,
não que eu tenha problemas de memória, mas o que narrarei aconteceu à meses, e
o leitor irá de convir que a alma não tendo forma fixa assume a forma das
sensações, como o mármore que assume a forma de uma escultura, assim a alma é
mármore, os sentimentos esculturas, e o tempo é chuva acida que estraga a obra
deixando-a irreconhecível.



Comecemos pelo inicio, estava eu no ponto de ônibus,
apreciava a noite e perdia-me nos pensamentos, estava aborrecido, não cito o
motivo pois a escrita em primeira pessoa deixa-me desgostoso e tímido, coisas
de escritor fracassado, o ônibus sempre atrasado, acostumei com a companhia das
estrelas e mergulhava em minhas cismas quase infantis. Enfim chega o lotação,
naquele dia já havia perdido quase toda estranha mania de viajar em pé,
sento-me como uma pessoa normal, o ônibus não tarda a lotar, e assim que vai
lotando começam minhas estranhezas.



Primeiramente sinto um monstruoso incomodo por estar
sentado, acho totalmente incomodo estar sentado quando pessoas mais velhas e
mulheres permanecem em pé, lembro-me que quando pensei isso achei que todos
ririam de mim se escutassem meus pensamentos, hoje eu mesmo riu de mim.



O ônibus está realmente uma lata de sardinha, ninguém
parece se preocupar com mulheres e pessoas de idade em pé, certo que nesse dia
não havia exatamente “pessoas de idade”, mas quase levantei-me para ceder lugar
à uma mulher que estava quase lá, reprimi a mim mesmo, existe a possibilidade
dela sentir-se ofendida e dizer que não era velha e quem sabe até tomar minha
atitude como insulto. Permaneci sentado e acomodei-me, pensei em levantar e
deixar lá o local vazio, mas por preguiça ou por medo de um atestado de
estranheza, permaneci sentado, resoluto, lembrei-me da história de um colega
que foi dar lugar á uma mulher, e ela sentiu-se ofendidíssima. Enfim hoje sou
normal a massa inguliu-me, digeriu-me, tento agora voltar a ser o que era, não,
eu sou o que eu era, agora lembrando o fato ocorrido, voltou a coragem em mim a
estranha coragem.



 Olho pela janela
do ônibus, que sobe um morro, posso ver um bairro pouco iluminado lá em baixo,
ele passa-me a nostálgica sensação de vazio, fico a cismar olhando para a
escuridão, não me lembro o que pensei naquele instante, só sei que foi algo poético.



Um jovem casal perto de mim chama minha atenção, ele
deveria ter uns dezesseis anos, ela um a menos, estavam discutindo, o inseguro
aspirante a homem estava enciumado, o motivo seria um recado no Orkut dela,
Orkut uma palavra tão poética, desculpe-me bruxo do Cosme velho!



A garota chamou-me a atenção, pele ligeiramente morena,
seios médios e redondos, corpo magro, cintura fina, possuía ligeiras curvas,
certamente daqui uns quatro anos será uma bela rapariga, o que a estragava era
a cara de mulher de malandro, típica adolescente de classe baixa tentando
resolver a carência afetiva. Ele boné para trás falando gírias deveria ser um
dos mais influentes de sua turma, mais um adolescente brasileiro provavelmente
fracassado na vida.



Interrompe meus pensamentos uma jovem dizendo e bufando
algo parecido com isso: Há...não dá...ninguém 
merece esses dois discutindo...Eu tentei responder algo, mas como estava
ainda com pensamentos estranhos, ofereci o lugar, - você quer sentar aqui? Ela
respondeu de forma natural olhando para baixo, –não, pode ficar de boa. Olhei
para o outro lado, continuei pensando e resolvi falar, perguntei se ela já
sabia toda a história, e indiquei com a cabeça, ela respondeu de forma familiar
e espontânea –já estou sabendo de tudo! Desde o recado do Orkut...e deu um
simpático sorriso, alias toda sua expressão era simpatia, realmente tratava-se
de uma garota simpática.



Ela come balinhas de chocolate e oferece-me eu recuso,
não gosto muito de doces, enfim chega o ponto em que tenho que descer,
despeço-me falo para ela sentar-se e desço do lotação. Era uma jovem simpática
de 22 anos aproximadamente, eu continuo com meus pensamentos na rua deserta,
estava realmente aborrecido naquele dia, pensava coisas sobre a humanidade, mas
isto é outra história, é meia-noite e preciso dormir, lembrei-me de uma garota
no ônibus, que perguntava para a amiga o que faria se o mundo fosse acabar na
semana que vem? Eu respondo caro leitor, faria o que sempre fiz, se fizesse o
contrário não teria sentido algum, pois realmente não sei se estarei vivo
amanhã.



 



Admin · 25 vistos · 0 comentários
Ago052014

Minha pretinha


Ah! Minha pretinha! Uma perola negra, eu a chamava de
delícia, minha pérola negra...Que sorriso! É o sorriso mais lindo que já vi até
hoje, falo sem medo de errar, um sorriso sincero, simples e bem largo, um
sorriso sem medo de ser feliz, sem medo de mostrar os dentes, sem medo de ser
ela mesma; ah! Quantos sorrisos sinceros e simples vocês já viram? Era alta,
magra, modelo! Mas o que a fazia especial era o sorriso; o brilho do sorriso; Ela
tinha um sorriso mais especial do que aquele que trazia nos lábios. Sim! Vos digo!
Ela além de um sorriso lindo, ainda tinha outro... sim, tinha outro! Uma pérola
com dois sorrisos; eu já havia reparado, mas realmente me envenenou de ternura
em um dia especial... estava sentado atrás dela, quando uma amiga me deu uma
flor, não conheço flor, mas não era uma flor famosa; era uma dessas que se pega
no caminho; ela me disse: “- Dá para a sua namorada!”. Minha namorada escutou,
mas ficou feliz quando recebeu a flor.. fui,lá com a flor na mão, chamei minha
linda pérola negra... estiquei a mão, sorri e disse galante e galhofeiro: “-
Uma flor para uma flor”. Ela me olhou e seus olhos sorriram antes dos lábios, o
sorriso mais lindo que já vi até hoje, falo sem medo de errar, um sorriso
sincero, simples e bem largo, um sorriso sem medo de ser feliz, sem medo de
mostrar seu brilho, sem medo de ser ela mesma; ah! Quantos sorrisos sinceros e
simples vocês já viram? Seus olhos brilhantes eram tão ternos, que me
contaminaram com sua meiguice, brilhavam tanto ao receber aquela flor comum que
se pega no caminho... para aqueles olhinhos cintilantes aquela flor comum representava
um gesto nobre, a flor não era importante; importante era o gesto... a coisa
menos importante era a flor; tanto para mim, como para os olhinhos brilhantes. O
gesto? Minha maneira de querer agradar.  O
sorriso nos olhos? Sua maneira de receber o agrado... Quem era? Jovem, 22 anos,
tem uma filha, baiana, guerreira, dois empregos, cuida da filha sem a ajuda do
pai da filha(pelo menos me parece). Nobre... me disse que cuidar dos filhos dos
outros é assumir uma responsabilidade que não é sua; ficávamos apenas... Gostava
de poesia! Escrevia poema! Nenhuma mulher gosta de poesia, só colocam frases do
Caio F. Abreu no facebook para se aparecerem... Mulheres gostam de rola e de
dinheiro... Ela gostava também de poesia... Os olhos mais sorridentes que já
vi, meu mozinho, sim! Ela, sim! É que era mulher de verdade.



Admin · 29 vistos · 0 comentários